quinta-feira, 11 de junho de 2015

O estresse e a resiliência dos caminhoneiros

A procura por empregos autônomos vem ganhando força em nossa sociedade. Um exemplo deste fenômeno é a profissão de transportador de carga rodoviária, conhecida também por “caminhoneiro”. Esta profissão contempla o profissional autônomo, o cooperativado ou o empregado. Porém, nos últimos anos, este profissional está no ranking de profissões mais “estressantes” do Brasil.

    Toda mudança exige ou resulta em uma adaptação, e o estresse está associado a isso. Nesta época de intensas e rápidas mudanças, uma atividade social que vem obrigando o ser humano a se adaptar drasticamente é o mercado de trabalho, cada vez mais competitivo e exigente.
De acordo com Abreu e Oliveira (2014) as exigências da vida contemporânea transformaram a palavra “estresse” numa das mais pronunciadas mundialmente. Não há quem, independentemente de nível econômico ou de faixa etária, fique imune às pressões do dia-a-dia. A função do estresse não é causar doença e sim, preservar a saúde em crise, visto que pode colaborar para a defesa do corpo humano contra situações prejudiciais. Desta forma, além de não ser possível se livrar do estresse, não é aconselhável. Contudo, é possível administrar os malefícios causados por ele, que podem ocorrer quando o mecanismo é acionado cronicamente, o que pode levar a uma série de doenças.
Para isso, é necessário que o indivíduo tenha desenvolvido sua autoconsciência e sua capacidade de resiliência, o que é muito difícil de ser alcançado. Um indivíduo submetido a situações de estresse pode ser comparado a um edifício, que não suportando sua tensão pode apresentar rachaduras (nos seres humanos seriam as doenças). Para vencer sem lesões, é necessário que o caminhoneiro adquira uma postura resiliente, ou seja, é necessário que alcance através do equilíbrio, entre a tensão e a habilidade de lutar, além do aprendizado obtido com obstáculos (sofrimentos), a estrutura de um carpete, que quando comprimido adquire as formas mais diversas e retorna ao estado inicial, após pressões exercidas sobre si. 

Fonte:
ABREU, J.A.; OLIVEIRA, V. M. Como reduzir e administrar o estresse em caminhoneiros. 2014. Disponível em <http://www.psicopedagogia.com.br/new1_artigo.asp?entrID=1740#.VXoz8vlVikr> Acesso em 10/06/2015.


A influência da baixa escolaridade nos fatores de risco na vida do caminhoneiro

A proposta do post de hoje é compartilhar uma revisão mediante a uma pesquisa bibliográfica que salienta a caracterização e a vulnerabilidade socioeconômica dos motoristas de caminhões, que servirá como base para o tema de hoje – a influência da baixa escolaridade nos fatores de risco na vida do caminhoneiro – onde iremos salientar uma maior atenção voltada a esta classe a fim de aprimorar a qualidade de vida desses profissionais.


Como já exposto no blog, os caminhoneiros são de extrema relevância para a sociedade em geral e são considerados profissionais importantes no desenvolvimento econômico, político e social para o progresso do nosso país. A categoria profissional dos motoristas de caminhão torna-se importante para propostas de intervenção para prevenção de riscos de infecções de acordo com seus estilos de vida, levando em consideração que no Brasil, o transporte rodoviário é, sem dúvida, um dos principais meios de locomover as riquezas produzidas neste país.
A pesquisa de campo realizada por Batista e Persch (2008) desenvolvida no Município de Cacoal/RO, com caminhoneiros de estradas, identifica a questão dos agravos de saúde mais comuns nos motoristas de caminhão verificando a percepção que os caminhoneiros têm sobre DST/HIV/Aids e uso de drogas, que proporcionou o conhecimento das questões de vulnerabilidade voltadas a estilo de vida, à sexualidade, doenças transmissíveis e drogas entre os caminhoneiros.
A pesquisa mostra em seus dados a questão da baixa escolaridade dos caminhoneiros, onde o resultado mostrou que conforme a idade do caminhoneiro, o nível de escolaridade mantém-se bastante baixo, pois 35% não possuíam o ensino fundamental completo, constatando a partir da pesquisa que o nível de escolaridade era inversamente proporcional, pois quanto maior a idade do entrevistado menor o nível de escolaridade.
Podemos perceber a influência da baixa escolaridade nos fatores de risco na vida desses profissionais, pois o estudo concluiu que o envolvimento em relações sexuais no período de trabalho é relevante entre esta categoria de trabalhadores; e que uma grande maioria, detêm o conhecimento das práticas de prevenção, mesmo assim, acabam se envolvendo com profissionais do sexo, a fim de procurar companhia e acabar com a solidão ocasionada por longos períodos na estrada, e que permanência contínua ao volante do caminhão, ajuda o aumento do uso de drogas psicoativas acarretando maiores danos à sua saúde.
A baixa escolaridade, juntamente com a grande mobilidade geográfica dos caminhoneiros, pode servir como disseminadores de doenças infecciosas, princi­palmente aquelas transmitidas sexualmente, visto que a baixa escolaridade é proporcional ao nível de conhe­cimentos sobre prevenção de DST/AIDS (TELES et al., 2008).
Após o relato da pesquisa, é possível concluirmos que, a baixa escolaridade dos caminhoneiros é uma realidade a ser melhor estudada ao influenciar o risco de vida dos mesmos, dessa forma, faz-se necessário uma maior atenção na promoção de saúde, que segundo Fontura (2003) promover saúde é, então, lidar com a mobilização social e aceitar o desafio de manifestar um processo amplo e complexo de participação popular, parcerias e atuações intersociais.
A promoção à saúde se dá através de ações que propiciem mudanças de atitudes; o que nos remete à educação, no aprimoramento na qualidade de vida desses profissionais e na iniciativa a educação formal, bem como fornece conhecimento acerca dos fatores que alteram a qualidade de vida e a saúde dos dessa classe e dos seus familiares.
    O papel do profissional de psicologia de acordo com Fontura (2003) é compreender o processo da constituição do sujeito como dialético e histórico, se dá em ações que promovam a transformação das relações sociais sobre o mundo cotidiano. Sua atuação deve estar pautada nas práticas interdisciplinares, tomando como objeto a promoção de saúde, realizando a interlocução dos conhecimentos da Psicologia e a interseção nas relações institucionais, que implicam as dimensões políticas e ideologias. 



Fontes:
BATISTA, Elizeth Souza; PERSCH, Fabiane Cristina. Caracterização sócioeconômica e cultural de caminhoneiros de estradas freqüentadores do Auto Posto Machadão em Cacoal-RO. Cacoal, RO. Trabalho de Conclusão de Curso; FACIMED, 2008, 15p.

FONTOURA, L. V. Material produzido para a oficina de Educação e Saúde, do I Seminário Regional de tenção Básica em Saúde: saúde mental, desafios emergentes. FEHH: Ibirama/SC, 2003.

TELES, A. S. et al. Comportamentos de risco para doenças sexualmente transmissíveis em caminhoneiros no Brasil. Rev Panam Salud Publica, v. 24, n. 1, p. 25-30, 2008.


Transtornos mentais são a terceira maior causa de afastamento do trabalho

De acordo com Resende, Sousa et. al (2010) o caminhoneiro brasileiro é um profissional que percorre longas distâncias, dorme na boleia do caminhão, alimenta-se mal, não tem segurança e conforto. A consequência disso é a baixa autoestima e a sensação de marginalização vivida por esses profissionais, gerando problemas sociais ao país.
Em contrapartida, os caminhoneiros atuam de forma preponderante para o crescimento econômico do país, transportando todo tipo de mercadorias, para atender as necessidades da população. Sua jornada de trabalho é frequentemente longa, com sono de baixa qualidade e exercícios físicos insuficientes (TAYLOR; DORN, 2006). Portanto, se encontram vulneráveis às desordens psicológicas devido a essas situações particulares de estresse inerentes a profissão.
De acordo com levantamentos realizados pela previdência social de 2008 para cá, os transtornos mentais são a terceira maior causa de afastamentos de trabalho no Brasil, perdendo apenas para as doenças do sistema osteomuscular, caso da LER (Lesão por Esforço Repetitivo), e as lesões traumáticas. Dentre os transtornos, o mais comum é a depressão, seguido de ansiedade ocasionada por estresse pós-traumático (surgindo depois de acidentes graves com risco de morte).
Muitas vezes essas patologias se desenvolvem a partir do que se chama de estresse ocupacional. Tendo como exemplo cumprir metas abusivas, cobranças e riscos, e a pressão que se forma leva às alterações. O profissional caminhoneiro entra para o grupo de risco devido a prazos abusivos de entrega, violência nas estradas, a falta de segurança em postos, os assaltos e sequestros relâmpagos, sobretudo na madrugada.
        Dessa forma, se faz necessário a implementação de ações que visem contribuir para a melhoria de saúde física e emocional desses profissionais.


Fontes:

RESENDE, P. T. V.; SOUSA, R. S.; SILVA, J. V. R. Fontes de tensão e estresse nos caminhoneiros brasileiros: uma análise a partir do modelo occupational stress indicator. Simpoi 2010.


Cuidado, vínculo e família. Que importância tem?

No Caderno de Atenção Básica-Saúde Mental (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2013) abordam-se diversos temas, um deles que ressaltamos a importância é sobre o cuidado e a família. 
 A família é um sistema que está constantemente conectado a outros setores da sociedade, onde se compartilham relações:  de desenvolvimento,  afeto, convívio,  de  parentescos sanguíneos ou não, e que em meio a essas questões estão  passíveis a crises.
Não existem famílias iguais, cada configuração e papéis dentro de um lar é distinto do outro, onde cada membro da família dá sentidos e significados singulares. Devido sua importância na constituição de um sujeito, esta é uma aliada também no que diz respeito ao cuidado, principalmente quando este está em sofrimento psíquico.


No caso dos caminhoneiros devido as longas viagens, estradas ruins, curtos prazos para entrega das cargas, sono em turnos alterados e/ou falta deste, distância da família por semanas, má alimentação e até uso de substâncias psicoativas lícitas ou não, podem ser geradoras de sofrimento nestes sujeitos, assim como em seus familiares.
O profissional da saúde tem como um de seus papéis realizar o acolhimento das famílias, e juntamente à elas, identificar as situações de risco, vulnerabilidade, pensando e estruturando maneiras da família potencializar o que tem de melhor, através de um projeto terapêutico, sem estigmatizar ou julgar os sujeitos. Podendo este contato iniciar com uma visita da agente comunitária de saúde, da qual faz visitas mensais nas residências.
Com vínculos familiares fortes, potencialização da família e dos papéis desenvolvidos por cada membro, auxiliam o sujeito a reconfigurar-se em meio ao sofrimento, visto que a potencialidade é um fator de proteção.


Fonte:
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Caderno de atenção básica- saúde mental. Brasília, Ed. 34. 2013.


Para descontrair...





Fonte: Imagens do GOOGLE.


quarta-feira, 10 de junho de 2015

Rebite está ficando ultrapassado. A nova moda é crack e cocaína.

A utilização do rebite por parte de muitos caminhoneiros não é novidade. O problema agora está se tornando mais grave, o rebite está sendo substituído por crack e cocaína. A reportagem a seguir nos mostra isso.



Caminhoneiros trocam rebite pela cocaína para trabalhar mais
A cocaína se transformou no novo “estimulante” dos caminhoneiros que trafegam pelas rodovias brasileiras. Estudos comprovam que os profissionais estão trocando a anfetamina pelo pó na ilusão de que poderão suportar por mais tempo as longas jornadas de trabalho, que muitas vezes se estendem por mais de 16 horas. Levantamento da Universidade de São Paulo (USP) e de instituições ligadas ao trânsito mostram que pelo menos 33% dos motoristas de caminhão utilizam entorpecentes para cumprir a carga horária. 
(...)
Os motoristas são levados a acreditar que a cocaína deixa a pessoa acordada por mais tempo do que a anfetamina. “Eles chegam a dizer que o pó pode fazer com que o caminhoneiro fique 90 horas dirigindo e estas pareçam mais curtas, evitando o cansaço”, conta Juarez, com 20 anos de profissão. 
“Não critico quem consome essa droga, mas acho uma judiaria o que fazem com o próprio organismo”, lamenta. A diferença no preço faz parte da tática dos traficantes para atrair os consumidores. Uma buchinha, com cerca de um grama de cocaína, custa entre R$ 15,00 e R$ 20,00. Já a cartela de rebite, com oito a dez comprimidos, é vendido por R$ 60,00. Para Juarez, no final, o caminhoneiro paga quase a mesma coisa. “Fica apenas a ilusão de que com uma ou duas buchinhas irá mais longe”, observa.
Texto dos repórteres Paulo Roberto Tavares e Cíntia Marchi. 
Para ler a reportagem completa acesse Correio do Povo.

Outras reportagens relacionadas:
     Caminhoneiros em MG dirigem sob efeito de drogas e 36% usam remédio para dormir 


Entrando nos eixos

De acordo com uma pesquisa realizada por Masson e Monteiro (2010) no CEASA (Entreposto Hortifrutigranjeiro de Campinas) com 105 motoristas de carga, as informações sociodemográficas mostram que os sujeitos eram homens, mais da metade eram casados e tinham filhos, bem como eram os principais provedores do lar. Com jornadas de trabalho exaustivas, podendo chegar à 16 horas dirigindo, em apenas um dia.
Cumprindo prazos curtos para as cargas não perecerem, percorrido por rodovias esburacadas, sempre em alta vigilância no transito, sofrendo discriminação nos postos de combustível, restaurante e nas próprias rodovias, e ainda convivendo pouco com a família, questões que colocam estes profissionais em grande vulnerabilidade ao estresse.
Pode-se perceber que há um desequilíbrio na vida dos caminhoneiros, as esferas da vida são desarmônicas, aspectos da vida social e convivência familiar, assim como seu próprio bem-estar quase não fazem parte do cotidiano destes sujeitos.
     Embora vários caminhoneiros tenham muito prazer pela profissão que optaram, é necessário que sejam discutidos aspectos referentes a promoção de saúde, específica para a categoria, para que possam desfrutar de momentos de convívio social e familiar (fora da estrada), assim como os acesso a lazer e sono de qualidade.

  
Fonte:
MASSON, Valéria Aparecida; MONTEIRO, Maria Inês. Estilo de vida, aspectos de saúde e trabalho de motoristas de caminhão. Rev. bras. enferm.,  Brasília ,  v. 63, n. 4, p. 533-540, Aug.  2010. 


terça-feira, 9 de junho de 2015

Para descontrair...


Fonte: Tudo Kibado.


O que pode ser feito para reduzir o uso de drogas pelos caminhoneiros?

Os caminhoneiros de estrada representam uma importante categoria profissional na economia do Brasil. Portanto, existe um grande desafio em encontrar alternativas para reduzir o consumo dessas substâncias e conscientizar estes profissionais sobre os riscos. Também é necessário melhorar suas condições de trabalho e qualidade de vida. (NASCIMENTO et al., 2007).


Segundo Knauth et al. (2012) a redução da vulnerabilidade destes profissionais requer políticas intersetoriais que garantam educação, capacitação profissional, direitos trabalhistas, melhores condições nas estradas e locais de parada e acesso a serviços de saúde, incluindo programas voltados para o consumo de álcool e drogas.
É muito difícil mudar um comportamento de risco sem mudar as normas culturais que influenciam estes comportamentos. Atuando-se exclusivamente sobre os indivíduos, é possível que se consiga que alguns deles mudem, porém é provável que eles logo sejam substituídos por outros comportamentos não adequados. Para atuar de maneira eficaz, são necessárias políticas de abrangência que não só promovam mudanças de comportamento, mas também atinjam as redes de relações, as condições materiais e psicossociais nas quais as pessoas vivem e trabalham e também que exista uma atuação ao nível dos macrodeterminantes, através de políticas macroeconômicas e de mercado de trabalho, reduzindo as desigualdades sociais e econômicas. (BUSS; FILHO, 2007).
Portanto são necessárias estratégias que abarquem não apenas aspectos isolados, mas sim incluam os diversos aspectos da saúde, da cultura e da sociedade.

Fontes:
BUSS, P. M.; FILHO, A. P. A Saúde e seus Determinantes Sociais. PHYSIS: Rev Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, 17(1): 77-93, 2007.

KNAUTH, D. R. et al. Manter-se acordado: a vulnerabilidade dos caminhoneiros. Rev Saúde Pública, 2012; 46(5): 886-93.

NASCIMENTO, E. C. et al. Uso de álcool e anfetaminas entre caminhoneiros de estrada. Rev Saúde Pública, 2007; 41(2): 290-3.



Para pensar...


Veja outras charges no blog Charges do Bruno.


segunda-feira, 8 de junho de 2015

Rebite. O que é? Quais os riscos?

As anfetaminas, popularmente conhecidas como “rebites”, são potentes estimulantes do Sistema Nervoso Central e estão entre as drogas comumente utilizadas por caminhoneiros. Elas permitem aos caminhoneiros ficarem acordados por mais tempo. Apesar de seu efeito ser considerado pelos caminhoneiros como uma vantagem, à medida que a concentração plasmática de anfetaminas aumenta, menor é o desempenho do motorista. E o mais preocupante é que finalizado o efeito estimulante das anfetaminas, o motorista é submetido a um efeito “rebote” sobre o Sistema Nervoso Central, ou seja, ocorre a indução de depressão, fadiga e sono. (TAKITANE et al., 2013).
Portanto, em conjunto, o efeito estimulante e o efeito “rebote” causam situações de risco no trânsito, impedindo que o motorista realize uma direção considerada segura. A periculosidade dessa associação entre motoristas de caminhão foi apontada por um estudo brasileiro que encontrou que 27% dos entrevistados relataram envolvimento em acidentes nas estradas devido ao uso de anfetaminas. (TAKITANE et al., 2013).



Fonte:
TAKITANE, J. et al. Uso de anfetaminas por motoristas de caminhão em rodovias do Estado de São Paulo: um risco à ocorrência de acidentes de trânsito? Ciência & Saúde Coletiva, 18(5):1247-1254, 2013.


Você sabia?

Muitos caminhoneiros fazem o uso de substâncias para conseguir permanecer mais tempo acordado e conseguir cumprir os prazos e obter mais lucro. Entre caminhoneiros o uso de álcool e anfetaminas, popularmente conhecidas como “rebite”, vem crescendo nos últimos anos e se tornando um sério problema de saúde pública. O uso destas substâncias causam grande impacto tanto na saúde destes profissionais quanto no aumento dos riscos de acidentes de trânsito. (NASCIMENTO et al., 2007).
Além do prejuízo ao organismo e os riscos no trânsito, o uso de anfetaminas e de álcool entre caminhoneiros também é relacionado à prática de sexo desprotegido, maior infecção por doenças sexualmente transmissíveis (DST) e maior risco para depressão. (KNAUTH et al., 2012).
         Entre os fatores que levam os caminhoneiros ao consumo destes tipos de substâncias estão alguns fatores socioeconômicos, como dívidas pessoais, crise no setor de transportes e exigências de entrega de cargas em curto prazo, fazendo com que muitos caminhoneiros dirigem muito mais horas do que o adequado, não tendo tempo suficiente para dormir, e assim, tendo que recorrer ao uso destas substâncias para reduzir o sono e aliviar a ansiedade.


FONTES:
KNAUTH, D.R. et al. Manter-se acordado: a vulnerabilidade dos caminhoneiros. Rev Saúde Pública, 2012;46(5):886-93.


NASCIMENTO, E. C. et al. Uso de álcool e anfetaminas entre caminhoneiros de estrada. Rev Saúde Pública, 2007; 41(2): 290-3.


terça-feira, 2 de junho de 2015

Você sabia? Trabalhos repetitivos e suas consequências

Viajar e conhecer diversos lugares, entrar em contato com pessoas e culturas diferentes ao longo do trabalho são vantagens de ser caminhoneiro. Entretanto, este profissional deve ficar atento, pois está sujeito a problemas e deficiências adquiridas por trabalhos repetitivos: ficar muito tempo sentado com os braços esticados dirigindo, na mesma posição, realizando poucos movimentos e com os mesmos grupos musculares pode trazer prejuízos. Entre esses prejuízos podemos citar a fadiga muscular, dores na coluna e estresse.
A fadiga muscular é causada pela contração prolongada e vigorosa de um músculo. O bloqueio do fluxo sanguíneo resulta em fadiga quase completa dentro de um ou dois minutos, por causa da falta de suprimento de nutrientes, especialmente falta de oxigênio (SALLES; PEREIRA; PASSOS, 2011).
Já as dores na coluna podem estar relacionadas com o sedentarismo, posturas inadequadas por tempo prolongado e estresse. O sedentarismo é favorecido pelas longas horas ao volante, má alimentação e pouco tempo para realizar atividades físicas, fatos constantemente relatados por motoristas, bem como o estresse diário a que estes estão expostos, provoca tensões musculares e interfere na produção de adrenalina e no sistema de controle da pressão arterial, rigidez muscular e, conseqüentemente, no maior risco de desenvolver dores musculares (PEREIRA et al.,2012).
A jornada excessiva de trabalho, o ambiente de trabalho (cabine mal adaptada), além da inatividade física, justifica o aparecimento de problemas e deficiências adquiridas por trabalhos repetitivos na profissão de caminhoneiro. É importante que este profissional fique atento aos seus direitos, exija uma cabine adequada, com um bom posicionamento do volante e pedais e assentos adaptados. Também cabe ressaltar que a sociedade juntamente com os motoristas deve lutar por melhores condições de trabalho e tempo de descanso, tanto para realizar atividades físicas e manter-se saudável quanto para descansar adequadamente para a longa jornada de trabalho. O livro “Jorge, um brasileiro”, de Osvaldo França Júnior, transformado em filme em 1988, mostra o cotidiano de um caminhoneiro, suas dificuldades, aventuras e defesa de seus direitos. Apesar de ter sido lançado em 1967, permanece atual e expõe a verdadeira realidade destes trabalhadores, indo ao encontro do material que vem sendo exposto em nosso blog.



Capa do livro


Capa do Filme



Fontes:
SALLES, G. C. S.; PEREIRA, C. A.; PASSOS, J. P. Condições de Trabalho dos Profissionais de Transporte e sua Relação com a Saúde. Revista Cuidado é Fundamental Online, Rio de Janeiro, n.3, v.1, p.1692-1701, 2011.


FELIPPE, Lilian Assunção et al. Prevalência de Alterações Posturais e Dor de Origem Músculo-Esquelética em Caminhoneiros. Revista Movimenta, Goiânia, v. 5, n. 2, p.150-156, out. 2012. Trimestral.


quinta-feira, 28 de maio de 2015

Você sabia?

Uma das deficiências adquiridas mais comuns entre os caminhoneiros é a surdez, pois eles passam longas horas dirigindo em diversos ambientes, muitos deles repletos de ruídos (buzinas, escapamento de motos, ronco de motores...). De acordo com Salles, Pereira e Passos (2011), o déficit auditivo destes trabalhadores está relacionado à exposição do sujeito ao som durante um período prolongado, somado ao tempo de serviço e a idade do trabalhador. A recomendação de ruído ideal para atividades que necessitem de atenção constante e esforço cognitivo como a profissão de caminhoneiro é de até 60 dB, sendo prejudicial a exposição a ruídos de até 115dB ou mais sem proteção. No entanto, em sua profissão o caminhoneiro circula em diversas regiões com níveis de ruídos diferentes em relação à intensidade e duração. Além disso, neste trabalho é descartada a possibilidade de utilizar protetores pois isso prejudicaria a atenção ao trânsito. A longo prazo, além da surdez adquirida, a exposição constante a ruídos pode provocar fadiga e estresse.
O trabalho é muito importante para o ser humano, pois é responsável pela concretização de sonhos e ideais e também a aquisição dos bens necessários à sua sobrevivência.Na falta de trabalho surgem problemas e mudanças na vida particular, nas relações inter e intrapessoais. O não trabalho tira a identidade, ou seja, tudo que diz respeito à forma de viver do sujeito (TEIXEIRA; GUIMARÃES, 2006).
Este vídeo mostra como um trabalhador exposto a ruídos pode desenvolver surdez adquirida e como seu cotidiano é influenciado pelas mudanças advindas com a surdez, ressaltando a importância do cuidado e da prevenção.


Fonte:
SALLES, G. C. S.; PEREIRA, C. A.; PASSOS, J. P. Condições de Trabalho dos Profissionais de Transporte e sua Relação com a Saúde. Revista de Pesquisa: Cuidado é Fundamental Online, Rio de Janeiro, n.3, v.1, p.1692-1701, 2011.

MORENO, C. R. C.; ROTEMBERG, L. Fatores determinantes da atividade dos motoristas de caminhão e repercussões à saúde: um olhar a partir da análise coletiva do trabalho.Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, São Paulo, n.120, v.34, p.128-138, 2009.

TEIXEIRA, A. M.; GUIMARÃES, L. Vida revirada: deficiência adquirida na fase adulta produtiva. Revista Mal-Estar e Subjetividade, Fortaleza, n.01, v.06, p.182-200, 2006.



terça-feira, 26 de maio de 2015

O que você sabe sobre deficiências adquiridas no trabalho?

Segundo Silva (2007), deficiências adquiridas podem ser definidas como aquelas adquiridas pelos indivíduos em uma fase diferentes das iniciais, nas quais o processo de desenvolvimento já proporcionou ao sujeito uma experiência de vida sem as sequelas de uma deficiência. Entre as causas pode-se citar como exemplo doenças (poliomielite, na infância; distúrbios vasculares e outras enfermidades cerebrais) acidentes, violência e processos degenerativos.
Quando isto ocorre no ambiente de trabalho, a aquisição de uma deficiência traz muitas mudanças significativas à vida do sujeito: a rotina, ocupações e tarefas que eram feitas antes podem ser modificadas devido ao tipo e gravidade da deficiência e do tratamento proposto, forçando o indivíduo a adaptar-se a novas exigências e a superar dificuldades e obstáculos que, até o momento, não eram vivenciados (BRITO, 2009).
Um estudo realizado pela seguradora SulAmérica em 2012 concluiu que os trabalhadores do setor de transporte, entre eles caminhoneiros, são os que apresentam maiores transtornos e dificuldades decorrentes da jornada excessiva de trabalho. Entre os problemas de saúde mais frequentes, estão a obesidade, distúrbios do sono, problemas de coluna, surdez adquirida e estresse moderado ou alto.
Caminhoneiros estão em constante exposição a fatores que propiciam o aparecimento de deficiências adquiridas, como as péssimas condições das estradas, o estresse constante, a precarização dos veículos, a longa jornada de trabalho, os altos níveis de ruídos e calor, contato com poluentes químicos, consumo de estimulantes e também o relativo desconhecimento dos riscos de saúde a que estão expostos. O site Brasil Caminhoneiro fornece informações e dicas de saúde no trabalho deste profissional, bem como ações que estão sendo desenvolvidas por diversos programas para mudar esta situação. Vale a pena conferir e se inteirar do assunto.


Fonte:
BRITO, D. C. S. A orientação profissional como instrumento reabilitador de pacientes portadores de doenças crônicas e deficiências adquiridas. Psicologia em Revista, Belo horizonte, n.01,v.15,p.106-111,2009.

MORENO, C. R. C.; ROTEMBERG, L. Fatores determinantes da atividade dos motoristas de caminhão e repercussões à saúde: um olhar a partir da análise coletiva do trabalho. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, São Paulo, n.120, v.34, p.128-138, 2009.

SILVA, L. C. A. A Pessoa com Deficiência Física Adquirida Diante das Próprias Representações Sobre A Deficiência Anteriores À Sua Lesão. In: Anais Do XIV Encontro Nacional Da ABRAPSO – Resumo. ABRAPSO: Rio de Janeiro, 2007.

SALLES,G. C. S.; PEREIRA,C. A.;PASSOS, J. P. Condições de Trabalho dos Profissionais de Transporte e sua Relação com a Saúde. Revista de Pesquisa: Cuidado é Fundamental Online, Rio de Janeiro, n.3, v.1, p.1692-1701, 2011.

SULAMÉRICA. IV Estudo Saúde Ativa – Ramos de Atividade Econômica, 2012. Disponível em <http://portal.sulamericaseguros.com.br/data/pages/8A6164904765BD0E014769CF2C881899.htm> Acesso em 20/05/15.


domingo, 24 de maio de 2015

Crises e conflitos

A  medida em que crescemos, vivenciamos diversos momentos marcantes (alguns bons outros nem tanto), mas que são muito importantes para nosso crescimento e aprendizado. Crises e conflitos fazem parte: vivenciar o novo, o desconhecido, envolve transformações, perdas e ganhos.
Segundo Maldonado (2000), psicóloga e escritora, a crise pode ser desencadeada por escolhas do sujeito (mudança de emprego, de moradia, divórcio, casamento...) ou por  situações que fogem ao nosso controle (morte de um familiar, crises econômicas no país, acidentes...). Neste “período de ebulição”, há muita coisa para ser assimilada, muitos pensamentos surgem e ficamos confusos, estáticos diante dos obstáculos.É diante da estagnação, do incômodo e inquietação advindos da crise que as mudanças e soluções surgem: deixar de temer o novo e ver a oportunidade nos faz  contornar a situação e sair dela com maior força interior.
Este vídeo mostra uma entrevista realizada com um profissional caminhoneiro, que ciente das dificuldades e também das alegrias de sua profissão, contorna os obstáculos e segue em frente, sugerindo melhorias e adaptando-se às situações.



Fonte: 
MALDONADO, Maria Tereza. Separações e Transformações: O auge da Crise. In: MALDONADO, Maria Tereza. Casamento, Término e Reconstrução: O que acontece antes, depois e durante a separação. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2000. 



sexta-feira, 22 de maio de 2015

O que você sabe sobre cotidiano? Como é o seu?

Para o senso comum, cotidiano pode ser o dia-a-dia de uma pessoa, o que ela costuma fazer, seus hábitos. Entretanto, na psicologia este conceito é mais abrangente. Para Agnes Heller, filósofa e socióloga, a formação dos indivíduos começa sempre nas esferas da vida cotidiana, em motivações de caráter particular e de satisfação das necessidades do sujeito. O cotidiano é constituído por atividades, linguagens, objetos (utensílios e instrumentos) e costumes de uma dada sociedade. Para cada sociedade o cotidiano pode mostrar-se diferente, sendo consideradas não cotidianas atividades denominadas complexas, como ciências, filosofia, artes e política.
O nosso cotidiano está em constante transformação, pois segundo Heller, tendemos a caminhar sempre para um grau de complexidade maior: ao desenvolver e aprimorar nossas atividades, mudamos gradualmente nossa maneira de expressão e de pensamento.
Este vídeo nos mostra um pouco do cotidiano e da vida de caminhoneiros, suas preocupações, hábitos e rotinas. Nele percebe-se que apesar da história individual de cada um, ao relatarem sua rotina, podem ser encontradas semelhanças e diferenças em seus cotidianos, pois são sujeitos pertencentes a uma mesma sociedade.


Fonte:
ROSSLER, João Henrique. O Desenvolvimento do Psiquismo na Vida Cotidiana: Aproximações entre a Psicologia de Alexis N. Leontiev e a Teoria da Vida Cotidiana de Agnes Heller. Caderno Cedes, Campinas, v. 24, n. 62, p.100-116, abr. 2004.


quarta-feira, 20 de maio de 2015

Primeiro post. Primeiro assunto. Sobre o que falar?

Se pararmos para pensar, a vida é cheia de primeiras vezes: primeiro sorriso, primeiro passo, primeiro amor, primeiro emprego, primeiro veículo... como um motorista no volante, estamos sempre em movimento, nos adaptando e desenvolvendo, dirigindo rumo ao crescimento.
A psicologia aborda esta constante adaptação de diversas maneiras, entre elas, a aprendizagem segundo Piaget. Para este ilustre filósofo, aprendemos por meio do desequilíbrio diante de uma situação nova, fazendo uso de dois processos complementares: assimilação e acomodação. Na assimilação, classificamos algo novo dentro de uma categoria que já conhecemos, por exemplo: uma criança diante de um cavalo pela primeira vez chega a conclusão de que ele é similar a um cão – tem 4 patas, é um mamífero...Já na acomodação, a informação recebida é totalmente nova, não conseguimos adequá-la em outra categoria devido às particularidades deste novo estímulo e por isso nos restam duas saídas: modificar um conceito/categoria que já existe ou criar um novo esquema. A assimilação e a acomodação contribuem para nosso aprendizado e adaptação no mundo.
E a vida também é assim... um constante equilibrar-se e desequilibrar-se,com erros, acertos e muitas primeiras vezes, o que faz dela uma experiência tão incrível e única.
O nosso desejo com esse blog e com nosso primeiro post é que você se sinta à vontade para participar, questionar e entrar no mundo fascinante da psicologia, enxergando sob uma nova perspectiva a profissão de caminhoneiro – sempre livre para equilibrar-se e desequilibrar-se o quanto quiser.


Dica de leitura: 
http://www.cerebromente.org.br/n08/mente/construtivismo/construtivismo.htm

Fonte:
BENSON, Nigel et al. O Livro da Psicologia. São Paulo: Globo Livros, 2012.