Viajar e conhecer diversos lugares, entrar em contato
com pessoas e culturas diferentes ao longo do trabalho são vantagens de ser
caminhoneiro. Entretanto, este profissional deve ficar atento, pois está
sujeito a problemas e deficiências adquiridas por trabalhos repetitivos: ficar
muito tempo sentado com os braços esticados dirigindo, na mesma posição, realizando
poucos movimentos e com os mesmos grupos musculares pode trazer prejuízos. Entre
esses prejuízos podemos citar a fadiga muscular, dores na coluna e estresse.
A fadiga muscular é causada pela contração prolongada
e vigorosa de um músculo. O bloqueio do fluxo sanguíneo resulta em fadiga quase
completa dentro de um ou dois minutos, por causa da falta de suprimento de
nutrientes, especialmente falta de oxigênio (SALLES; PEREIRA; PASSOS, 2011).
Já as dores na coluna podem estar relacionadas com o
sedentarismo, posturas inadequadas por tempo prolongado e estresse. O
sedentarismo é favorecido pelas longas horas ao volante, má alimentação e pouco
tempo para realizar atividades físicas, fatos constantemente relatados por
motoristas, bem como o estresse diário a que estes estão expostos, provoca
tensões musculares e interfere na produção de adrenalina e no sistema de
controle da pressão arterial, rigidez muscular e, conseqüentemente, no maior risco
de desenvolver dores musculares (PEREIRA et al.,2012).
A jornada excessiva de trabalho, o ambiente de
trabalho (cabine mal adaptada), além da inatividade física, justifica o
aparecimento de problemas e deficiências adquiridas por trabalhos repetitivos
na profissão de caminhoneiro. É importante que este profissional fique atento
aos seus direitos, exija uma cabine adequada, com um bom posicionamento do
volante e pedais e assentos adaptados. Também cabe ressaltar que a sociedade
juntamente com os motoristas deve lutar por melhores condições de trabalho e
tempo de descanso, tanto para realizar atividades físicas e manter-se saudável
quanto para descansar adequadamente para a longa jornada de trabalho. O livro
“Jorge, um brasileiro”, de Osvaldo França Júnior, transformado em filme em
1988, mostra o cotidiano de um caminhoneiro, suas dificuldades, aventuras e
defesa de seus direitos. Apesar de ter sido lançado em 1967, permanece atual e
expõe a verdadeira realidade destes trabalhadores, indo ao encontro do material
que vem sendo exposto em nosso blog.
Capa do livro
Capa do Filme
Fontes:
SALLES, G. C. S.;
PEREIRA, C. A.; PASSOS, J. P. Condições de Trabalho dos Profissionais de
Transporte e sua Relação com a Saúde. Revista Cuidado é
Fundamental Online, Rio de Janeiro, n.3, v.1, p.1692-1701, 2011.
FELIPPE, Lilian
Assunção et al. Prevalência de Alterações Posturais e Dor de Origem
Músculo-Esquelética em Caminhoneiros. Revista
Movimenta, Goiânia, v. 5, n. 2, p.150-156, out. 2012. Trimestral.