A proposta do post de hoje é compartilhar uma revisão
mediante a uma pesquisa bibliográfica que salienta a caracterização e a
vulnerabilidade socioeconômica dos motoristas de caminhões, que servirá como
base para o tema de hoje – a influência da baixa escolaridade nos fatores de
risco na vida do caminhoneiro – onde iremos salientar uma maior atenção voltada
a esta classe a fim de aprimorar a qualidade de vida desses profissionais.
Como já exposto no blog, os caminhoneiros são de extrema
relevância para a sociedade em geral e são considerados profissionais
importantes no desenvolvimento econômico, político e social para o progresso do
nosso país. A categoria profissional dos motoristas de caminhão torna-se
importante para propostas de intervenção para prevenção de riscos de infecções
de acordo com seus estilos de vida, levando em consideração que no Brasil, o
transporte rodoviário é, sem dúvida, um dos principais meios de locomover as
riquezas produzidas neste país.
A pesquisa de campo realizada por Batista e Persch (2008) desenvolvida
no Município de Cacoal/RO, com caminhoneiros de estradas, identifica a questão dos
agravos de saúde mais comuns nos motoristas de caminhão verificando a percepção
que os caminhoneiros têm sobre DST/HIV/Aids e uso de drogas, que proporcionou o
conhecimento das questões de vulnerabilidade voltadas a estilo de vida, à
sexualidade, doenças transmissíveis e drogas entre os caminhoneiros.
A pesquisa mostra em seus dados a questão da baixa
escolaridade dos caminhoneiros, onde o resultado mostrou que conforme a idade
do caminhoneiro, o nível de escolaridade mantém-se bastante baixo, pois 35% não
possuíam o ensino fundamental completo, constatando a partir da pesquisa que o
nível de escolaridade era inversamente proporcional, pois quanto maior a idade
do entrevistado menor o nível de escolaridade.
Podemos perceber a influência da baixa escolaridade nos
fatores de risco na vida desses profissionais, pois o estudo concluiu que o
envolvimento em relações sexuais no período de trabalho é relevante entre esta
categoria de trabalhadores; e que uma grande maioria, detêm o conhecimento das
práticas de prevenção, mesmo assim, acabam se envolvendo com profissionais do
sexo, a fim de procurar companhia e acabar com a solidão ocasionada por longos
períodos na estrada, e que permanência contínua ao volante do caminhão, ajuda o
aumento do uso de drogas psicoativas acarretando maiores danos à sua saúde.
A baixa escolaridade, juntamente com a grande mobilidade
geográfica dos caminhoneiros, pode servir como disseminadores de doenças
infecciosas, principalmente aquelas transmitidas sexualmente, visto que a
baixa escolaridade é proporcional ao nível de conhecimentos sobre prevenção de
DST/AIDS (TELES et al., 2008).
Após o relato da pesquisa, é possível concluirmos que, a
baixa escolaridade dos caminhoneiros é uma realidade a ser melhor estudada ao
influenciar o risco de vida dos mesmos, dessa forma, faz-se necessário uma
maior atenção na promoção de saúde, que segundo Fontura (2003) promover saúde
é, então, lidar com a mobilização social e aceitar o desafio de manifestar um processo
amplo e complexo de participação popular, parcerias e atuações intersociais.
A promoção à saúde se dá através de ações que propiciem
mudanças de atitudes; o que nos remete à educação, no aprimoramento na
qualidade de vida desses profissionais e na iniciativa a educação formal, bem
como fornece conhecimento acerca dos fatores que alteram a qualidade de vida e
a saúde dos dessa classe e dos seus familiares.
O papel do profissional de psicologia de acordo com Fontura
(2003) é compreender o processo da constituição do sujeito como dialético e
histórico, se dá em ações que promovam a transformação das relações sociais
sobre o mundo cotidiano. Sua atuação deve estar pautada nas práticas
interdisciplinares, tomando como objeto a promoção de saúde, realizando a
interlocução dos conhecimentos da Psicologia e a interseção nas relações
institucionais, que implicam as dimensões políticas e ideologias.
Fontes:
BATISTA, Elizeth
Souza; PERSCH, Fabiane Cristina. Caracterização
sócioeconômica e cultural de caminhoneiros de estradas freqüentadores do Auto
Posto Machadão em
Cacoal-RO. Cacoal , RO. Trabalho de Conclusão de Curso; FACIMED, 2008,
15p.
FONTOURA, L. V. Material
produzido para a oficina de Educação e Saúde, do I Seminário Regional de tenção
Básica em Saúde: saúde mental, desafios emergentes. FEHH: Ibirama/SC, 2003.
TELES, A. S. et al. Comportamentos de risco para doenças sexualmente
transmissíveis em caminhoneiros no Brasil. Rev
Panam Salud Publica, v. 24, n. 1, p. 25-30, 2008.
Nenhum comentário:
Postar um comentário