quinta-feira, 11 de junho de 2015

A influência da baixa escolaridade nos fatores de risco na vida do caminhoneiro

A proposta do post de hoje é compartilhar uma revisão mediante a uma pesquisa bibliográfica que salienta a caracterização e a vulnerabilidade socioeconômica dos motoristas de caminhões, que servirá como base para o tema de hoje – a influência da baixa escolaridade nos fatores de risco na vida do caminhoneiro – onde iremos salientar uma maior atenção voltada a esta classe a fim de aprimorar a qualidade de vida desses profissionais.


Como já exposto no blog, os caminhoneiros são de extrema relevância para a sociedade em geral e são considerados profissionais importantes no desenvolvimento econômico, político e social para o progresso do nosso país. A categoria profissional dos motoristas de caminhão torna-se importante para propostas de intervenção para prevenção de riscos de infecções de acordo com seus estilos de vida, levando em consideração que no Brasil, o transporte rodoviário é, sem dúvida, um dos principais meios de locomover as riquezas produzidas neste país.
A pesquisa de campo realizada por Batista e Persch (2008) desenvolvida no Município de Cacoal/RO, com caminhoneiros de estradas, identifica a questão dos agravos de saúde mais comuns nos motoristas de caminhão verificando a percepção que os caminhoneiros têm sobre DST/HIV/Aids e uso de drogas, que proporcionou o conhecimento das questões de vulnerabilidade voltadas a estilo de vida, à sexualidade, doenças transmissíveis e drogas entre os caminhoneiros.
A pesquisa mostra em seus dados a questão da baixa escolaridade dos caminhoneiros, onde o resultado mostrou que conforme a idade do caminhoneiro, o nível de escolaridade mantém-se bastante baixo, pois 35% não possuíam o ensino fundamental completo, constatando a partir da pesquisa que o nível de escolaridade era inversamente proporcional, pois quanto maior a idade do entrevistado menor o nível de escolaridade.
Podemos perceber a influência da baixa escolaridade nos fatores de risco na vida desses profissionais, pois o estudo concluiu que o envolvimento em relações sexuais no período de trabalho é relevante entre esta categoria de trabalhadores; e que uma grande maioria, detêm o conhecimento das práticas de prevenção, mesmo assim, acabam se envolvendo com profissionais do sexo, a fim de procurar companhia e acabar com a solidão ocasionada por longos períodos na estrada, e que permanência contínua ao volante do caminhão, ajuda o aumento do uso de drogas psicoativas acarretando maiores danos à sua saúde.
A baixa escolaridade, juntamente com a grande mobilidade geográfica dos caminhoneiros, pode servir como disseminadores de doenças infecciosas, princi­palmente aquelas transmitidas sexualmente, visto que a baixa escolaridade é proporcional ao nível de conhe­cimentos sobre prevenção de DST/AIDS (TELES et al., 2008).
Após o relato da pesquisa, é possível concluirmos que, a baixa escolaridade dos caminhoneiros é uma realidade a ser melhor estudada ao influenciar o risco de vida dos mesmos, dessa forma, faz-se necessário uma maior atenção na promoção de saúde, que segundo Fontura (2003) promover saúde é, então, lidar com a mobilização social e aceitar o desafio de manifestar um processo amplo e complexo de participação popular, parcerias e atuações intersociais.
A promoção à saúde se dá através de ações que propiciem mudanças de atitudes; o que nos remete à educação, no aprimoramento na qualidade de vida desses profissionais e na iniciativa a educação formal, bem como fornece conhecimento acerca dos fatores que alteram a qualidade de vida e a saúde dos dessa classe e dos seus familiares.
    O papel do profissional de psicologia de acordo com Fontura (2003) é compreender o processo da constituição do sujeito como dialético e histórico, se dá em ações que promovam a transformação das relações sociais sobre o mundo cotidiano. Sua atuação deve estar pautada nas práticas interdisciplinares, tomando como objeto a promoção de saúde, realizando a interlocução dos conhecimentos da Psicologia e a interseção nas relações institucionais, que implicam as dimensões políticas e ideologias. 



Fontes:
BATISTA, Elizeth Souza; PERSCH, Fabiane Cristina. Caracterização sócioeconômica e cultural de caminhoneiros de estradas freqüentadores do Auto Posto Machadão em Cacoal-RO. Cacoal, RO. Trabalho de Conclusão de Curso; FACIMED, 2008, 15p.

FONTOURA, L. V. Material produzido para a oficina de Educação e Saúde, do I Seminário Regional de tenção Básica em Saúde: saúde mental, desafios emergentes. FEHH: Ibirama/SC, 2003.

TELES, A. S. et al. Comportamentos de risco para doenças sexualmente transmissíveis em caminhoneiros no Brasil. Rev Panam Salud Publica, v. 24, n. 1, p. 25-30, 2008.


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