Uma das deficiências adquiridas mais comuns entre os
caminhoneiros é a surdez, pois eles passam longas horas dirigindo em diversos
ambientes, muitos deles repletos de ruídos (buzinas, escapamento de motos,
ronco de motores...). De acordo com Salles, Pereira e Passos (2011), o
déficit auditivo destes trabalhadores está relacionado à exposição do sujeito
ao som durante um período prolongado, somado ao tempo de serviço e a idade do
trabalhador. A recomendação de ruído ideal para atividades que necessitem de
atenção constante e esforço cognitivo como a profissão de caminhoneiro é de até
60 dB, sendo prejudicial a exposição a ruídos de até 115dB ou mais sem
proteção. No entanto, em sua profissão o caminhoneiro circula em diversas
regiões com níveis de ruídos diferentes em relação à intensidade e duração.
Além disso, neste trabalho é descartada a possibilidade de utilizar protetores
pois isso prejudicaria a atenção ao trânsito. A longo prazo, além da surdez
adquirida, a exposição constante a ruídos pode provocar fadiga e estresse.
O trabalho é muito importante para o ser humano, pois é
responsável pela concretização de sonhos e ideais e também a aquisição dos bens
necessários à sua sobrevivência.Na falta de trabalho surgem problemas e
mudanças na vida particular, nas relações inter e intrapessoais. O não trabalho
tira a identidade, ou seja, tudo que diz respeito à forma de viver do sujeito
(TEIXEIRA; GUIMARÃES, 2006).
Este vídeo mostra como um trabalhador exposto a ruídos pode
desenvolver surdez adquirida e como seu cotidiano é influenciado pelas mudanças
advindas com a surdez, ressaltando a importância do cuidado e da prevenção.
Fonte:
SALLES, G. C. S.; PEREIRA, C. A.; PASSOS,
J. P. Condições de Trabalho dos Profissionais de Transporte e sua Relação com a
Saúde. Revista de Pesquisa:
Cuidado é Fundamental Online, Rio de Janeiro, n.3, v.1, p.1692-1701, 2011.
MORENO, C. R. C.; ROTEMBERG, L. Fatores
determinantes da atividade dos motoristas de caminhão e repercussões à saúde:
um olhar a partir da análise coletiva do trabalho.Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, São Paulo, n.120, v.34, p.128-138,
2009.
TEIXEIRA, A. M.; GUIMARÃES, L. Vida
revirada: deficiência adquirida na fase adulta produtiva. Revista Mal-Estar e Subjetividade, Fortaleza,
n.01, v.06, p.182-200, 2006.