quarta-feira, 10 de junho de 2015

Entrando nos eixos

De acordo com uma pesquisa realizada por Masson e Monteiro (2010) no CEASA (Entreposto Hortifrutigranjeiro de Campinas) com 105 motoristas de carga, as informações sociodemográficas mostram que os sujeitos eram homens, mais da metade eram casados e tinham filhos, bem como eram os principais provedores do lar. Com jornadas de trabalho exaustivas, podendo chegar à 16 horas dirigindo, em apenas um dia.
Cumprindo prazos curtos para as cargas não perecerem, percorrido por rodovias esburacadas, sempre em alta vigilância no transito, sofrendo discriminação nos postos de combustível, restaurante e nas próprias rodovias, e ainda convivendo pouco com a família, questões que colocam estes profissionais em grande vulnerabilidade ao estresse.
Pode-se perceber que há um desequilíbrio na vida dos caminhoneiros, as esferas da vida são desarmônicas, aspectos da vida social e convivência familiar, assim como seu próprio bem-estar quase não fazem parte do cotidiano destes sujeitos.
     Embora vários caminhoneiros tenham muito prazer pela profissão que optaram, é necessário que sejam discutidos aspectos referentes a promoção de saúde, específica para a categoria, para que possam desfrutar de momentos de convívio social e familiar (fora da estrada), assim como os acesso a lazer e sono de qualidade.

  
Fonte:
MASSON, Valéria Aparecida; MONTEIRO, Maria Inês. Estilo de vida, aspectos de saúde e trabalho de motoristas de caminhão. Rev. bras. enferm.,  Brasília ,  v. 63, n. 4, p. 533-540, Aug.  2010. 


terça-feira, 9 de junho de 2015

Para descontrair...


Fonte: Tudo Kibado.


O que pode ser feito para reduzir o uso de drogas pelos caminhoneiros?

Os caminhoneiros de estrada representam uma importante categoria profissional na economia do Brasil. Portanto, existe um grande desafio em encontrar alternativas para reduzir o consumo dessas substâncias e conscientizar estes profissionais sobre os riscos. Também é necessário melhorar suas condições de trabalho e qualidade de vida. (NASCIMENTO et al., 2007).


Segundo Knauth et al. (2012) a redução da vulnerabilidade destes profissionais requer políticas intersetoriais que garantam educação, capacitação profissional, direitos trabalhistas, melhores condições nas estradas e locais de parada e acesso a serviços de saúde, incluindo programas voltados para o consumo de álcool e drogas.
É muito difícil mudar um comportamento de risco sem mudar as normas culturais que influenciam estes comportamentos. Atuando-se exclusivamente sobre os indivíduos, é possível que se consiga que alguns deles mudem, porém é provável que eles logo sejam substituídos por outros comportamentos não adequados. Para atuar de maneira eficaz, são necessárias políticas de abrangência que não só promovam mudanças de comportamento, mas também atinjam as redes de relações, as condições materiais e psicossociais nas quais as pessoas vivem e trabalham e também que exista uma atuação ao nível dos macrodeterminantes, através de políticas macroeconômicas e de mercado de trabalho, reduzindo as desigualdades sociais e econômicas. (BUSS; FILHO, 2007).
Portanto são necessárias estratégias que abarquem não apenas aspectos isolados, mas sim incluam os diversos aspectos da saúde, da cultura e da sociedade.

Fontes:
BUSS, P. M.; FILHO, A. P. A Saúde e seus Determinantes Sociais. PHYSIS: Rev Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, 17(1): 77-93, 2007.

KNAUTH, D. R. et al. Manter-se acordado: a vulnerabilidade dos caminhoneiros. Rev Saúde Pública, 2012; 46(5): 886-93.

NASCIMENTO, E. C. et al. Uso de álcool e anfetaminas entre caminhoneiros de estrada. Rev Saúde Pública, 2007; 41(2): 290-3.



Para pensar...


Veja outras charges no blog Charges do Bruno.


segunda-feira, 8 de junho de 2015

Rebite. O que é? Quais os riscos?

As anfetaminas, popularmente conhecidas como “rebites”, são potentes estimulantes do Sistema Nervoso Central e estão entre as drogas comumente utilizadas por caminhoneiros. Elas permitem aos caminhoneiros ficarem acordados por mais tempo. Apesar de seu efeito ser considerado pelos caminhoneiros como uma vantagem, à medida que a concentração plasmática de anfetaminas aumenta, menor é o desempenho do motorista. E o mais preocupante é que finalizado o efeito estimulante das anfetaminas, o motorista é submetido a um efeito “rebote” sobre o Sistema Nervoso Central, ou seja, ocorre a indução de depressão, fadiga e sono. (TAKITANE et al., 2013).
Portanto, em conjunto, o efeito estimulante e o efeito “rebote” causam situações de risco no trânsito, impedindo que o motorista realize uma direção considerada segura. A periculosidade dessa associação entre motoristas de caminhão foi apontada por um estudo brasileiro que encontrou que 27% dos entrevistados relataram envolvimento em acidentes nas estradas devido ao uso de anfetaminas. (TAKITANE et al., 2013).



Fonte:
TAKITANE, J. et al. Uso de anfetaminas por motoristas de caminhão em rodovias do Estado de São Paulo: um risco à ocorrência de acidentes de trânsito? Ciência & Saúde Coletiva, 18(5):1247-1254, 2013.


Você sabia?

Muitos caminhoneiros fazem o uso de substâncias para conseguir permanecer mais tempo acordado e conseguir cumprir os prazos e obter mais lucro. Entre caminhoneiros o uso de álcool e anfetaminas, popularmente conhecidas como “rebite”, vem crescendo nos últimos anos e se tornando um sério problema de saúde pública. O uso destas substâncias causam grande impacto tanto na saúde destes profissionais quanto no aumento dos riscos de acidentes de trânsito. (NASCIMENTO et al., 2007).
Além do prejuízo ao organismo e os riscos no trânsito, o uso de anfetaminas e de álcool entre caminhoneiros também é relacionado à prática de sexo desprotegido, maior infecção por doenças sexualmente transmissíveis (DST) e maior risco para depressão. (KNAUTH et al., 2012).
         Entre os fatores que levam os caminhoneiros ao consumo destes tipos de substâncias estão alguns fatores socioeconômicos, como dívidas pessoais, crise no setor de transportes e exigências de entrega de cargas em curto prazo, fazendo com que muitos caminhoneiros dirigem muito mais horas do que o adequado, não tendo tempo suficiente para dormir, e assim, tendo que recorrer ao uso destas substâncias para reduzir o sono e aliviar a ansiedade.


FONTES:
KNAUTH, D.R. et al. Manter-se acordado: a vulnerabilidade dos caminhoneiros. Rev Saúde Pública, 2012;46(5):886-93.


NASCIMENTO, E. C. et al. Uso de álcool e anfetaminas entre caminhoneiros de estrada. Rev Saúde Pública, 2007; 41(2): 290-3.


terça-feira, 2 de junho de 2015

Você sabia? Trabalhos repetitivos e suas consequências

Viajar e conhecer diversos lugares, entrar em contato com pessoas e culturas diferentes ao longo do trabalho são vantagens de ser caminhoneiro. Entretanto, este profissional deve ficar atento, pois está sujeito a problemas e deficiências adquiridas por trabalhos repetitivos: ficar muito tempo sentado com os braços esticados dirigindo, na mesma posição, realizando poucos movimentos e com os mesmos grupos musculares pode trazer prejuízos. Entre esses prejuízos podemos citar a fadiga muscular, dores na coluna e estresse.
A fadiga muscular é causada pela contração prolongada e vigorosa de um músculo. O bloqueio do fluxo sanguíneo resulta em fadiga quase completa dentro de um ou dois minutos, por causa da falta de suprimento de nutrientes, especialmente falta de oxigênio (SALLES; PEREIRA; PASSOS, 2011).
Já as dores na coluna podem estar relacionadas com o sedentarismo, posturas inadequadas por tempo prolongado e estresse. O sedentarismo é favorecido pelas longas horas ao volante, má alimentação e pouco tempo para realizar atividades físicas, fatos constantemente relatados por motoristas, bem como o estresse diário a que estes estão expostos, provoca tensões musculares e interfere na produção de adrenalina e no sistema de controle da pressão arterial, rigidez muscular e, conseqüentemente, no maior risco de desenvolver dores musculares (PEREIRA et al.,2012).
A jornada excessiva de trabalho, o ambiente de trabalho (cabine mal adaptada), além da inatividade física, justifica o aparecimento de problemas e deficiências adquiridas por trabalhos repetitivos na profissão de caminhoneiro. É importante que este profissional fique atento aos seus direitos, exija uma cabine adequada, com um bom posicionamento do volante e pedais e assentos adaptados. Também cabe ressaltar que a sociedade juntamente com os motoristas deve lutar por melhores condições de trabalho e tempo de descanso, tanto para realizar atividades físicas e manter-se saudável quanto para descansar adequadamente para a longa jornada de trabalho. O livro “Jorge, um brasileiro”, de Osvaldo França Júnior, transformado em filme em 1988, mostra o cotidiano de um caminhoneiro, suas dificuldades, aventuras e defesa de seus direitos. Apesar de ter sido lançado em 1967, permanece atual e expõe a verdadeira realidade destes trabalhadores, indo ao encontro do material que vem sendo exposto em nosso blog.



Capa do livro


Capa do Filme



Fontes:
SALLES, G. C. S.; PEREIRA, C. A.; PASSOS, J. P. Condições de Trabalho dos Profissionais de Transporte e sua Relação com a Saúde. Revista Cuidado é Fundamental Online, Rio de Janeiro, n.3, v.1, p.1692-1701, 2011.


FELIPPE, Lilian Assunção et al. Prevalência de Alterações Posturais e Dor de Origem Músculo-Esquelética em Caminhoneiros. Revista Movimenta, Goiânia, v. 5, n. 2, p.150-156, out. 2012. Trimestral.